sábado, 17 de setembro de 2011

Explicando a anterior

O texto anterior é o relato de um sonho que tive, há alguns anos. Claro que não lembro dele em sua integridade, mas ter escrito me permite acessar essa memória visual no momento em que releio. E garanto que os ambientes que mais me marcaram eu consigo rememorar com nitidez.
É incrível, mesmo passados anos, porque sei que aquele lugar não existe fisicamente, não na cidade em que moro, mas espero encontrá-lo nas andanças pelo mundo. Nem posso descrever como seria, mas sei que me sentiria... aturdida talvez seja a palavra mais próxima, caso me deparasse com aquele pátio.
Penso que de alguma forma eu criei (ou recriei) aquele lugar, e hoje penso que possivelmente seja um refúgio criado pelo meu imaginário, vez que há tantas coisas simbólicas naquele locus.
Hoje tenho algumas hipóteses de respostas às perguntas postas lá, há aproximadamente três anos - não regisrei a data do escrito, que foi encontrado hoje e resolvi postar - mas também tenho outras perguntas: por que um limpador de lustres, uma loja de lustres, um pátio escondido na cidade, feito de pedras? Uma estação desativada? E tudo com pulsante energia. Bancos de ferros e mesas, sob uma árvore antiga.
Tudo isso abre uma viagem gigante de significados e novas criações.
Valeria um filme, um quadro, um registro da cena mental.
É uma pena que a tecnologia não tenha chegado a tanto e que eu não acesse esse lugar mais vezes.
Foi fantástico. Em todos os sentidos.

Foi só um sonho

Há o medo de tentar traduzir em palavras algo que as palavras não conseguem expressar. É como se, ao descrever a cena, as imagens fossem profanadas.
Que lugar diáfano era aquele? Onde será que existe aquela paisagem? E o sentimento que foi despertado em mim, como tê-lo novemente?
Por que sonhar com aquele lugar?
Resultado de leituras da noite anterior ou das viagens virtuais provocadas pelos debates sobre latinidade, que durante a semana me arrebatam, emocionam e despertam sonhos latentes, abafados e quase totalmente suplantados pelas tarefas do dia a dia.
Sonhos em vários sentidos, pois a paisagem era familiar, já conhecida de um tempo que não sei demarcar. O reencontro com um lugar que nem sei se existe em três dimensões. A sensação de voltar para casa, sem nunca de fato ter estado lá.
O que pode nossa imaginação? Qual o limite para nossos sonhos?
Eu não sei explicar.
O que poderia ter acontecido se a campainha não me tivesse despertado?
Pátios vazios. Ruas de pedra. Casas imensa, todas fechadas, mas vivas. Nenhum morador, apenas um artesão limpando vidros no que parecia ser uma loja de lustres, de cujo teto pendiam arcos, deixava-se invadir pela luz do sol.
Lembro ter pensado "É um belo lugar para um casamento, ainda que lhe faltem assentos e o sol, demasiado forte, cause desconforto aos convidados".
Um estação desativada no centro do pátio.
Como explicar a vida e atmosfera de movimento que enchia aquelas construções? Nenhum pó. Nenhuma destruição. Tudo pacatamente esperando o bloco carnavalesco que chegava.
Confete e Serpentinas. E um sem número de pessoas a subir aquela rua de pedra, com suas emblemáticas roupas de colombinas brancas e pretas. Máscaras. Não se ouvi a música do bloco, mas via-se seus componentes cantando e bailando naquela rua de um Poço da Panela que não existe.
Lembro do arrebatamento. Eu estava ali pelo lugar e me encantava em passar diante de todas aquelas janelas fechadas, jardinns maravilhosos. Uma árvore frondosa oferecia sua copa como guarda-sol sobre cadeiras de ferro e mesinhas circulares. Enfeitada com caqueiras em toda sua extensão. Como estariam ali, tão alto? Quem teria criado tamanha beleza?
E o anônimo limpador de lustres, em sua pequena torre, parecia não se incomodar com a invasão pouco ruidosa. Enquanto carnavalescos sentavam-se, exaustos pela subida, eu girava sobre a árvore, observando suas caqueiras, com olhos marejados, coração transbordando, voltando para o meu lugar, ao som de uma canção brasileira: "E o vento vai levando tudo embora".

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A primeira... de novo

Embora novo, é um eterno retorno.
Bem... nesta primeira segunda postagem eu venho apenas ratificar uma coisa, assumir um compromisso público, como os supermercados fazem, a respeito de algo que já é sabido por muitos, questionados por alguns, duvidado por um número menor - felizmente.
Venho aqui para dizer que o queijo manteiga com mel de engenho, ou melhor, a pasta feita com estes ingredientes, por um chef que não sei pronunciar o nome, mas que generosamente nos sauda com seus dotes culinários no Estação Maxambomba, no Carmo (Olinda) é DE-LI-CI-O-SA, estupenda, maravilhosa, um deleite, quase um gozo.
Quer dizer... lembrei disso agora, por uma razão maior. É óbvio que o post re-inagural não é sobre queijos com mel, embora seja huuuummmm
A lembrança veio junto a outras tantas: pizzas, vinhos tintos, crepes, sorvetes....muitas delicias. Dirão, sabidamente, que estou com fome neste momento. E ESTOU MESMO. Mas o médico me proibiu de comer antes de dormir e como boa virginiana, me esforço por cumprir as regras.
E que diabos tem a culinária e a fome a ver com um post na madrugada?
Santana.
A culpa é toda dele. Exceto pela minha fome não saciada - aí a culpa é do médico.
O fato é que nestes recentes meses esta criatura, cujo primeiro nome é difícil, e inesquecível depois de aprendido, com pós-nome indicando a vida árdua que ele teria ganho, participa da minha vida em momentos vários, por motivações também várias, com objetivos ainda mais diversos. E a ele sou muito grata.
Grata pelo queijo com mel, pelo banho de rio, pelas flores que perecem - mas não na memória - pelo cheiro do mar, pelas cores do mundo, pelas descobertas, pelos novos parceiros, por cada manhã de sol, cada noite de chuva que dividimos, ou melhor, compartilhamos. Ah, e claro, pelos pães todos que comemos juntos.
É para este Qui que dedico esta re-inauguração, este retorno do que não cessou nunca, pelo amor e paciência, pela presença singular.
E, embora este blog não tenha objetivo de postar nossa vida, nem a minha vida - para isto já existem os paparazzos que me fotografam sem que eu saiba - hoje, excepcionalmente, serei explícita - já fui, né! - para dizer o que já se sabe:
Qui, meu Biu, eu amo você e não é pouco!

"Esto no puede ser no más que una canción...quisiera fuera una declaración de amor"
http://www.youtube.com/watch?v=sct0-7rs2zY&feature=related

p.s: perdoa, viu, dizer isso, assim, tão discretamente, mas até respeitei algumas regras: as ortográficas, as de pontuação, concordância, regência e até as de uso de imagem ;)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cada volta é um recomeço - permitam-me o empréstimo

Não deu para resgatar e acho que há uma razão metafísica para isto.
Então, sigamos com os novos Rufar de Asas, já que o Anjo do Sótão não habita mais o sótão, e sim o mundo inteiro.
Sejam bem-vindos, novamente.